domingo, 4 de junho de 2017

Melhora ou fase mesmo?


Uma criança aprende, observando e imitando. Explora tudo o tempo todo. Crianças com autismo podem ter dificuldades nessas questões.

Observando o que tem acontecido com Rico, percebemos melhoras em muitas áreas e ainda grandes déficits em repertórios simples pra idade.

Rico sempre foi muito observador, em qualquer lugar ele olhava tudo e rápido percebia o que queria e o que interessava, mas a interação com o meio e pessoas é diferente.

Faz algumas semana que a relação dele com o meio vem mudando, ele está mais interativo e buscando mais ambientes e situaçoes sociais que antes ele fugia, ainda sem saber como fazer ou como seguir as brincadeiras.

A imitação do Rico sempre foi boa, mas agora tá muito espontânea, ele tem explorado e experimentado muito.

E com isso percebemos um aumento exponencial nas artes e peripécias.
Ele está mais arteiro que nunca, fazia tempo que ele não precisava de monitoramento tão intenso,  e me lembro dele um bebe arteiro, antes do Tea, mesmo sendo uma criança sempre obediente, era arteiro, e isso sumiu no espectro.

Então estamos numa fase " é bom, as é ruim!"
Porque é piscar e a arte está feita!
E me pergunto, será mesmo melhora no quadro ou coisa da minha cabeça?

Lá vai algumas situações,  tudo isso em poucos dias:

Rico trincou toda a tela do meu iPad e escondeu, quebrar ok, acidente e esconder? Malandragem! Por ter escondido não pode usar o iPad, pensa que reclamou? Claro que não, ainda pediu desculpas e nem tentou.

Ele me viu usando o mop com centrífuga, enquanto eu tomava banho ele pegou o balde do mop, colocou água e passou pela área de serviço toda, detalhe que ele não conseguiu centrifugar e molhou tudo, e tentou limpar com outro pano de chão, quase deu certo se eu não tivesse chegado no ato.

Foi pego em flagrante jogando bolas de papel higiênico molhadas na parede...

Depois encheu uma luva de procedimento de água e explodiu dentro do vaso do lavabo, achando que dentro da água não ia dar nada.

Entupiu o vaso com papel higiênico!

Tentou lavar o banheiro com a escova de vaso que sorrateiramente pegou do Alto usando uma escadinha.

Recolhe os cocos do cachorro do quintal com papel (vou ensinar usar o plástico pqcom papel arghhh).

E assim temos caminhado, espero que seja mesmo um Melhora!










quarta-feira, 31 de maio de 2017

O menino, 3 bolachas e a tia fono.


O menino abraçador achou um pacote de bolacha no carro da tia fono. 

Escapando audaciosamente da dieta e da mamãe ele pediu pra tia fono, abriu e tinha três bolachas no pacote.

Sem a tia falar nada ele deu uma pra ela e pegou uma pra ele. Deliciou-se!

Sobrou uma bolacha, o abraçador, então olhou, pensou e quebrou no meio e dividiu entre eles. 


Nessas horas a mamãe vira abraçadora e apertadora de meninos, e sente um calor bom no coração que diz pra mãe que estão no caminho. 




terça-feira, 2 de maio de 2017

Procurando frases.

O menino abraçador recorre cada vez mais a liguagem verbal pra se comunicar.

Mesmo tendo expressões que ainda não conheça e em muitas situações as palavras lhe fujam, ele se vira pra se fazer entender.

Final de semana no carro o menino sentiu náuseas, provavelmente porque veio lendo as placas, ele resmungou e quando a mãe perguntou o que era, o abraçador repondeu "quero fazer xixi!"

A mãe e o pai sabiam que não era bem isso, mas pararam o carro e desceram o menino até que a sensação ruim passasse.

Hoje o abraçador está com sinais de gripe, nariz constipado e escorrendo, ele e a mãe faziam o dever de casa.

De repente pediu " Eu quero lavar a mão!"
E correu para o banheiro, na verdade ele queria papel pra assoar o nariz.

O menino não conhece a palavra náusea e talvez nem vômito e nem assoar e também não sabe bem o que significa.

Isso pouco importa já que o mais importante ele conseguiu, se fazer entender.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Chamando o irmão mais velho.

A mãe estava no quarto já aos berros, chamando o irmão mais velho, que agora é pré adolescente e vive com os fones nos ouvidos, por mais que a mãe gritasse ele não ouvia.

O menino abraçador estava perto do irmão, mas alheio, o menino é atípico, muito do que outras crianças aprendem naturalmente, ele não entende, e muito do que muitos menininhos precisariam de aulas, o abraçador aprende sozinho. Por isso ele não sabia que precisava chamar o irmão.

E nem a mãe sabia qual seria a reação do abraçador, quando ela avisou para ele chamar o irmão mais velho, ela realmente achou que seria ignorada.

Mas como sempre o menino surpreendeu!

Ele obedeceu o comando da mãe, mesmo de longe e com a vozinha vaporosa dele, chamou o irmão mais velho!

A mãe não se cabia de felicidade, pode parecer pouco para todas as outras mães, mas para a mãe do menino abraçador é o resultado de muito trabalho, principalmente do menino, que todos os dias prova que ele pode!


A mãe e o pai sofreram muito na época que o menino ficou alheio, ele parecia desligado de todos, apesar de sempre abraçador, não parecia conectado com ninguém.

Ele não respondia quando chamado, fazia tudo sem olhar pra ninguém quando lhe pediam algo. 

O pai, a mãe e o irmão tentavam chamar sua atenção, mas pouco conseguiam, o menino parecia estar fora, mesmo que estivesse ali, era como se não estivesse ou simplesmente não ligasse pra nada ou ninguém. 

Foi um periodo muito agonizante para eles, e mesmo nessa época, por mais que a mãe insistisse, ninguém concordava com autismo, o menino sempre foi esperto, era fácil enganar quem não convivia com ele.

A mãe e o pai sofriam cada vez que ele virava de costas e ia embora, saia quando eles entravam, levantava quando eles sentavam. 

Foi com muito trabalho e depois de muito tempo que o menino voltou a interagir melhor, e já faz algum tempo que os pais percebem ele mais participativo, mais presente, mais interessado.

Hoje, mesmo que menos que um menino da idade, o abraçador procura a mãe, o pai e o irmão, procura também os avós, os tios e os amigos, o que deixa todos com aquele sorrisão de quem entende o quanto foi difícil chegar ate aqui.






quinta-feira, 30 de março de 2017

O menino e a cachorrinha

O menino abraçador, o irmão mais velho e o pai chegaram da escola e como sempre todos foram cumprimentar a mãe.
O menino costuma abraçar e deitar do lado da mãe, mas ao invés disso, ele chamou o pai várias vezes.
O pai o acompanhou até a sala tentando entender o que o menino queria e ele pedia " vem papai, vem, ajuda" , mas não conseguia explicar porque precisava de ajuda.
Nem a mãe, nem o pai, nem o irmão entenderam o que o menino tentava dizer.
Já era hora do almoço, a mãe chamou todos para mesa, e cada um tomou seu lugar, menos o abraçador que não estava mais na sala.
A mãe então saiu a sua procura, e ouviu vindo do portão da casa a vozinha macia do menino " Vem, vem, cachorrinha" a mãe seguiu a voz e ele estava no portão, com o bracinho pra fora, apontando e chamando.
Na casa além das pessoas, tem também, a cachorrinha sapeca, a cachorra da fazenda, o gatinho arteiro e a gata caçadora, que são os irmãos de quatro patas do menino e do irmão mais velho.
A mãe então entendeu porque ele chamou o pai e porque ele pediu ajuda.
A cachorrinha é pequena e escapou pelo portão quando o carro do pai entrou na garagem.
Quase ninguém percebeu a peripécia da cachorrinha, mas o abraçador viu, e não sossegou enquanto não se fez entender, ela estava na rua e o menino entendeu o perigo. Ele não desistiu até que alguém entendessem o recado.
O irmão correu, a mãe abriu o portão, o menino continuou na entrada da casa chamando, ele sabe que sozinho não pode sair dali.
Em alguns segundos voltaram todos, o menino, o irmão e a sapeca, todos saltitantes.
A mãe ficou emocionada, não é fácil para o menino entender o outro e entender que o outro pode estar em perigo, além disso ele tentou resolver o problema de muitas maneiras e ele não desistiu, mesmo quando ninguém entendia o que ele queria. Foi então que a mãe abraçou e beijou e apertou o menino e virou a abraçadora. Por alguns minutos.
Mais uma vez, a mãe, pai e irmão estavam orgulhosos do menino, que salvou a cachorrinha e mostrou que entende muito mais do que todos imaginam.
Ele é mesmo um super herói.








segunda-feira, 20 de março de 2017

Segregação.

O menino abraçador tem muita dificuldade em ambientes com muita gente, a mãe diz que parece que ele para de ouvir quando tem mais que dez pessoas e quando é uma multidão ele pede pra ir embora.
Então, nas festas, buffets, brincadeiras, aulas com muitas crianças, ele não obedece mais aos comandos verbais, parece que ele fica sobrecarregado de informação sensorial e os imputs fecham, ele então faz o que quer, anda e corre, brinca, mas interage pouco. Quanto mais caótico o ambiente, com muitas crianças e situações novas mais ele fica disperso e menos ele segue as ordens.
Nos buffets ele brinca muito e funcionalmente, mas passa reto pelas pessoas que tentam interagir com ele. A mãe fica atras e o faz parar pra interagir, pelo menos minimamente, o menino precisa entender que mesmo nesse ambiente existem regras, vez ou outra a mãe e o pai  ficam muito felizes porque ele consegue brincar com alguém.
Isso acontece com aulas em turmas  regulares, a mãe já tentou várias, porque seria bem interessante para o menino estar com várias crianças diferentes além daquelas da escola que ele já está acostumado. Muitas vezes não deu certo, na aula de Crossfit para crianças, por exemplo, o menino corria sem destino, sem obedecer a ordem do percurso e se irritava com os professores que insistiam para que ele mantivesse o caminho, sozinho ele consegue, com poucas crianças também, mas com muitas crianças correndo e gritando, ele deixa de obedecer, parece que ele desliga os ouvidos.
Como a rotina do menino já é intensa, a mãe e o pai acabaram desistindo de algumas dessas aulas porque querem muito que o menino se divirta e que seja prazeiroso estar com os colegas.
Essa semana a mãe tentou que ele participasse de uma aula experimental, infelizmente foi traumático pra todos.
O menino não obedecia, estava feliz, mas não ficava no lugar, e tinha um teclado, os olhinhos do menino brilham quando vê um teclado, ele não saia de lá, infelizmente não tiveram paciência que se espera de pessoas que trabalham com crianças e ele foi "convidado" a se retirar da aula.
Isso magoou a mãe, pai e o menino também sentiu, mesmo que pareça que não, ele sabe que foi excluído.




 A mãe diz que o preconceito é muito feio e que ele machuca, mas nem a mãe e nem o pai tinham passado por ele assim dessa maneira tão indelicada e tão evidente, a mãe disse que o menino foi segregado e que podiam tê-la avisado sem tirá-lo da aula, ou terem paciência porque com o tempo o menino se regula na nova situação.
A mãe e o pai tomaram algumas providências, mas antes sofreram e choraram porque ficou evidente que  mundo ainda não está preparado para o abraçador.
A mãe diz que por isso conscientizar é tão importante e por isso  ela fala sobre autismo com todos o tempo todo, pra que coisas assim não aconteçam com mais ninguém.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Dificuldade de socialização.

O menino abraçador tem dificuldades sociais, uma área bem afetada,  algumas vezes ele prefere ficar sozinho e se isola, na escola, em casa e ele precisa de muito incentivo pra participar e se manter focado no grupo. A mãe, pai, equipe e escola  estão sempre incentivando para que ele se entrose com os colegas.

Outras vezes ele tenta muito se aproximar, quer brincar e participar, mas não entende as regras das brincadeiras. Então para o menino pega pega é corre corre, ele não entende que hora é pegador é hora tem que se esquivar e assim acontece com várias brincadeiras, nesses momentos a mãe e o pai intercedem e tentam que ele entenda e participe o máximo possível, mas em alguma situações, a mãe e o pai precisam isola-lo, o que é difícil porque é o contrário do que deveriam fazer.
Uma dessas situações acontecem em quadras onde outras crianças, inclusive o irmão mais velho jogam futebol, o abraçador quer e tenta entrar  no jogo a toda hora, mas a mãe e o pai acham perigoso, porque ele se enfia na frente dos outros que o derrubam e a bola insiste em acerta-lo.

O pai tenta distrair o menino, inventando novas brincadeiras, levando ao parque, a outros lugares, mas o menino insiste em voltar, e o coração do pai fica partido em vê-lo olhando pela grade e preso do lado de fora da quadra.

Sempre que o jogo da um intervalo, o menino entra na quadra e corre feliz atras da bola, faz gol , festeja, algumas crianças que a mãe chama de âncoras porque ajudam o menino a estabilizar-se aparecem e jogam e brincam com ele, sempre tem dessas crianças que são mais sensíveis e mais abertas a ajudar o abraçador, mas não é fácil por mais que tentem ensiná-lo as regras do futebol são complexas para o menino, a mãe e o pai já tentaram ensinar em outras situações, e o menino só quer acertar o gol, não entende a dinâmica do time e nem que de uma lado eles atacam e de outros eles defendem, pra ele futebol e correr atrás da bola e chuta-lá ao gol e sair pra comemoração.

Porém, algumas crianças não tem paciência, a mãe e o pai entendem que elas nem sempre tem maturidade pra saberem que o abraçador é diferente, a mãe e o pai não aceitam atitudes assim de adultos, mas relevam quando são crianças e quando não é um ataque direto,  a mãe tenta conscientizar todos pra que entendam e aceitem o menino, mas não é fácil, a maioria das pessoas não sabe o que é o autismo ou tem ideias muito erradas sobre a síndrome.

Quando algumas dessas crianças sem paciência reage, a mãe e o pai pedem calma e retiram o abraçador do campo, a mãe quer que os direitos do abraçador sejam respeitados, ela quer mudar o mundo para o abraçador, mas ela sabe que em muitos aspecto é menino que precisa se adaptar ao mundo, a mãe sabe que além de perigoso, as outras criança querem se divertir e levam a sério o jogo e suas regras.

Mesmo com todo esses cuidados ainda acontece de alguma criança mais ríspida dizer : que menino chato ou ele não sabe jogar ou ele tá atrapalhando tudo ou alguém tira esse menino daqui ou esse menino é burro?

A mãe e o pai apesar de sentirem o coração apertado, eles relevam, muitas vezes pra que o irmão mais velho tenha a oportunidade de continuar se divertindo, mas isso nunca acontece, porque sempre que alguém reage assim com o menino abraçador, o irmão mais velho murcha, ele sofre, aquilo o atinge como uma flecha, ele prefere sair e ir embora, a brincadeira acaba pro irmão.

O menino parece não ligar, ou não entender nada daquilo, parece o mais alheio a esses comentários, ele só fica bravo porque quer brincar e não deixamos e ele não entende, estamos sempre pedindo pra ele estar com as pessoas, principalmente as crianças, e de repente evitamos que ele participe.

Todos ficam chateados, o irmão mais velho fica muito, e o pai e mãe, continuam tentando explicar ao menino as regras, eles sabem que um dia ele entenderá e poderá participar dessas brincadeiras, sem ser apenas o café com leite que só corre junto com todos mundo.

Isolando-se

Intergindo

Aproveitando o 
intervalo.