quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Irmão de autista

A mãe sempre tenta que a relação do menino abraçador e do irmão mais velho seja natural. 

A mãe sabe que menino precisa do irmão, e talvez precise por muito tempo. A mãe encara essa possibilidade todos os dias, rezando pra que todos os esforços do menino abraçador gerem um futuro independente, sem deixar de pensar na pior hipótese.

A mãe também não acha que seja obrigação do irmão mais velho e nem quer que seja essa premissa da relação deles. 

Então a mãe cultiva o laço que os une e cuida delicadamente, sem soltar e sem apertar, que o laço não seja um nó mesmo que nunca se desfaça. E ela sente o coração aquecido e reconfortado quando vê que os dois estão enlaçados e que a amizade e o amor florescem em pequenos gestos, nos sorrisos e nos cuidados.


O pai parou o carro na frente da casa, a mãe desceu apressada pq os cachorros saíram, ela olhou e o menino abraçador ainda estava no carro sob os cuidados do pai, ela recolheu os peludinhos e quando se virou para ir buscar o abraçador, viu o irmão mais velho, dando orientações e o protegendo enquanto abria a porta do carro. A mãe e o pai parados olhando. O irmão o abraçava pelo ombro e o trazia carinhosamente, conduzindo e olhando para os lados. Assim eles entraram e a mãe sorria.











sábado, 16 de setembro de 2017

Alfabetização, como está sendo com o Rico.


Conto nesse vídeo como estamos alfabetizando o Rico, respondendo algumas perguntas que me fizeram. 

Link: https://youtu.be/9urzgADsyHQ

domingo, 10 de setembro de 2017

Alteração no processamento sensorial.

Video antigo de 2015, ainda engatinhando no assunto:

https://m.youtube.com/watch?feature=share&v=WWvumDaoi-Q

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Sonhos

Todos os dias a mãe se pega olhando o menino dormindo.
Seu traços são lindos, ele ressona, tranquilo. As xs ela flagra os olhinhos chacoalhando em movimentos rápidos e se pergunta como seriam seus sonhos?
O abraçador têm 8 anos, alto, sorridente, feliz e para olhos desavisados é um menino comum, parecido com todos os menininhos de 8 anos, as pessoas estranhas só percebem sua diferença se tentam engajar uma conversa, as crianças repetem a pergunta mais alta ou quase soletrando como se ele não as ouvisse: - quer brincar? Como é seu nome? COMO É SEU NO ME? MENINO?
Pode ser que ele responda, pode ser que precise de ajuda, pode ser que não responda e lance seus olhinhos sorridentes correndo com as crianças sem saber ao certo o que elas estão fazendo.
Para a mãe quando ele dorme ali aninhado, com seu rosto sereno, num sono de dar inveja, ele têm 2 anos, e nos seus sonhos o menino está aprendendo a falar, brincar, todas as crianças são como ele e todos estão aprendendo a falar, mesmo que sejam altos como meninos de 8 anos...



Logo depois a mãe vê o irmão mais velho, o sono dele sempre foi barulhento, o irmão se mexe muito, fala dormindo, o nariz tranca, seu sono nunca foi tranquilo, apesar de bem dorminhoco, e imagina que os sonhos do irmão sejam o contrário, ele têm quase 12, mas deve sonhar como um homem no meio de suas lutas e de conversas sérias pq às vezes ele franze a testa, aperta os olhos e está sempre enrolado numa coberta, mesmo no calor. A mãe acalenta, passa a mão em seu rosto e o irmão volta a roncar.

Então a mãe vai dormir, o sono da mãe nunca foi tranquilo, é igual o irmão mais velho, a boca abre, o nariz tranca, ela fala, se mexe, reclama, resmunga.

Em seus sonhos o menino abraçador pode conversar, pode contar o que sente e o que pensa e ele pode fazer tudo sozinho e ele pode ser adulto e o irmão mais velho nos sonhos da mãe pode ser um bebê ou uma criança pequena sem preocupações de gente grande, ele pode brincar até cansar e perder o fôlego de rir das cócegas que acordado ele já não curte mais...


domingo, 3 de setembro de 2017

A ecolalia e sua importância na comunicação do Rico.


Rico começou a falar com mais de 4,5 anos, nessa época a fala era sem sentido, ele repetia o que ouvia, a tal da ecolalia imediata, mas ele tinha uma voz, ele conseguia reproduzir as palavras e frases, na época quase tudo sem contexto, ele continuava usando em torno de 5 palavras de forma funcional desde os 2 anos, como "para", nessa época ele sabia os números e o alfabeto e falava muito em inglês.

A partir da ecolalia imediata, percebemos a nomeação de objetos acontecendo já perto dos 5, e aí começou a fala com um pouco mais de sentido, ele via a figura de um pato e dizia pato, e assim sucessivamente, essa época usamos um pouco do PECs, rápido ele chegou na fase 4 e rápido ele começou a usar a frase " eu quero xxxx". Que foi a primeira frase funcional e ele saia da nomeação simples o tato e entrava nos mandos simples.



Paralelamente a ecolalia acompanhava e ainda o acompanha até hoje, tanto a imediata como a tardia, Rico quase não tem stimming fisico, mas tem muito verbal, ele canta, fala e fala e fala.... essa fala é a simples reprodução, de frases, palavras, musicas, onomatopéias que por algum motivo ele acha interessante e repete o dia todo, no começo eram repetidas por dias a fio, isso já desde 2 anos, que eu na época achava que era o início da fala, então ele passava dias repetindo por exemplo "bebece ou assassa", que nunca soubemos o que significava, parecia um mantra sempre na mesma cadência, com efeito sensorial forte de acalmar ou livrar-se do tédio por ex. Hoje são poucos dias de repetição da mesma palavra ou frase e aparecem palavras novas e frases novas diariamente.

A única preocupação que eu tinha com isso era na escola, pq poderia atrapalhar a sala com o cântico e mantras dele, mas Rico fala muito baixo, aliás um dos problemas pq muitas xs as pessoas simplesmente não o ouvem, por outro lado não incomoda quem está perto, apesar dele usar a ecolalia pra irritar o irmão, por puro divertimento, coisa de irmão.

A linguagem do Rico desde então vem melhorando lentamente, com uma melhora evidente do ano passado pra cá, muito ligado ao trabalho com o foco no comportamento verbal do Rico e com a fono  na melhora da fala e da linguagem, hoje já considerado verbal com dificuldades, ele consegue se virar razoavelmente e cada vez melhor.

De uns anos pra cá começou tbm a ecolalia mitigada, que aumentou muito nos últimos meses, percebo que na falta de ferramentas pra formular rapidamente uma frase ele usa frases que ouviu, isso tem acontecido muito e com muita funcionalidade.

Hoje por ex. o chamei pra fazer a tarefa e ele enrolando, foram vários chamados até eu soltar a ameaça: -vem fazer a tarefa ou castigo! Ele disse imediatamente uma série de frases muito funcionais, mas que sei que ele ouviu na escola ou de mim em algum momento, com o dedinho apontado pra mim:
- Para com isso! Não faz isso com ele! Senta no seu lugar Rico!
E imediatamente sentou e começou a tarefa.

Extremamente interessante a ecolalia mitigada no meu ponto de vista, e pro Rico parece fundamental no desenvolvimento da linguagem que é ainda precária pra idade, parece que as palavras não vem fácil, então  ao invés de construir, ele usa a memória auditiva que ele deve acessar mais rápido e fácil nos momentos que ele precisa pensar rápido.

Junto disso percebemos tbm frases expontâneas cada vez mais presentes e melhores, mesmo que falte conjugação verbal e a confusão imensa com pronomes e etc, nossa língua é complicada nesse aspecto.

Mais uma vez eu vejo ele usando a memória pra aprender e se virar, a leitura veio assim, ele memorizou um número imenso de palavras, e aí entendeu que as sílabas tinham o mesmo som quase sempre (mais uma dificuldade da nossa língua).

Cada vez mais tenho provas que a via principal de aprendizado para ele é a memória, e depois instintivamente ele entende além do que decorou.

E por enquanto a ecolalia é parceira, nos ajudando a entende-lo e ensiná-lo, mesmo que as xs seja cansativo ouvirmos o mantra dele o dia todo.

domingo, 4 de junho de 2017

Melhora ou fase mesmo?


Uma criança aprende, observando e imitando. Explora tudo o tempo todo. Crianças com autismo podem ter dificuldades nessas questões.

Observando o que tem acontecido com Rico, percebemos melhoras em muitas áreas e ainda grandes déficits em repertórios simples pra idade.

Rico sempre foi muito observador, em qualquer lugar ele olhava tudo e rápido percebia o que queria e o que interessava, mas a interação com o meio e pessoas é diferente.

Faz algumas semana que a relação dele com o meio vem mudando, ele está mais interativo e buscando mais ambientes e situaçoes sociais que antes ele fugia, ainda sem saber como fazer ou como seguir as brincadeiras.

A imitação do Rico sempre foi boa, mas agora tá muito espontânea, ele tem explorado e experimentado muito.

E com isso percebemos um aumento exponencial nas artes e peripécias.
Ele está mais arteiro que nunca, fazia tempo que ele não precisava de monitoramento tão intenso,  e me lembro dele um bebe arteiro, antes do Tea, mesmo sendo uma criança sempre obediente, era arteiro, e isso sumiu no espectro.

Então estamos numa fase " é bom, as é ruim!"
Porque é piscar e a arte está feita!
E me pergunto, será mesmo melhora no quadro ou coisa da minha cabeça?

Lá vai algumas situações,  tudo isso em poucos dias:

Rico trincou toda a tela do meu iPad e escondeu, quebrar ok, acidente e esconder? Malandragem! Por ter escondido não pode usar o iPad, pensa que reclamou? Claro que não, ainda pediu desculpas e nem tentou.

Ele me viu usando o mop com centrífuga, enquanto eu tomava banho ele pegou o balde do mop, colocou água e passou pela área de serviço toda, detalhe que ele não conseguiu centrifugar e molhou tudo, e tentou limpar com outro pano de chão, quase deu certo se eu não tivesse chegado no ato.

Foi pego em flagrante jogando bolas de papel higiênico molhadas na parede...

Depois encheu uma luva de procedimento de água e explodiu dentro do vaso do lavabo, achando que dentro da água não ia dar nada.

Entupiu o vaso com papel higiênico!

Tentou lavar o banheiro com a escova de vaso que sorrateiramente pegou do Alto usando uma escadinha.

Recolhe os cocos do cachorro do quintal com papel (vou ensinar usar o plástico pqcom papel arghhh).

E assim temos caminhado, espero que seja mesmo um Melhora!










quarta-feira, 31 de maio de 2017

O menino, 3 bolachas e a tia fono.


O menino abraçador achou um pacote de bolacha no carro da tia fono. 

Escapando audaciosamente da dieta e da mamãe ele pediu pra tia fono, abriu e tinha três bolachas no pacote.

Sem a tia falar nada ele deu uma pra ela e pegou uma pra ele. Deliciou-se!

Sobrou uma bolacha, o abraçador, então olhou, pensou e quebrou no meio e dividiu entre eles. 


Nessas horas a mamãe vira abraçadora e apertadora de meninos, e sente um calor bom no coração que diz pra mãe que estão no caminho.